“O Brasil é um porto seguro. Estamos consolidando com o Japão uma nova estratégia de relacionamento. Queremos vender e queremos comprar, mas, sobretudo, queremos compartilhar alianças entre as empresas japonesas e brasileiras para que a gente possa crescer juntos. Nosso comércio bilateral diminuiu nos últimos anos. Caiu de US$ 17 bilhões em 2011 para US$ 11 bilhões em 2024. É preciso aprimorá-lo”. O líder brasileiro lembrou ainda da transição energética como outro campo estratégico para os avanços nas relações bilaterais.
“O Brasil vai aumentar o percentual de etanol na gasolina de 27% para 30% e no diesel vamos chegar a 20% até 2030. É positivo que com o Plano Estratégico de Energia o Japão eleve o percentual de bioetanol para até 10% até 2030 e até 20% a partir de 2040”, citou Lula. “A descarbonização não é uma escolha, é uma necessidade e grande oportunidade. O envolvimento do setor privado é fundamental. O Brasil sempre será um aliado para reduzir a dependência global de combustíveis fósseis”, ponderou o presidente,
Ele frisou os esforços do Brasil para zerar o desmatamento na Amazônia até 2030 e as oportunidades de parceria em torno da COP30, que será realizada em Belém (PA). “Em novembro, o Brasil sediará a COP30 no coração da Amazônia e espero que o primeiro-ministro Ishiba esteja participando da COP, para ter contato com a Amazônia, de que todo mundo fala e que pouca gente conhece”, convidou Lula.
O Fórum Empresarial Brasil-Japão é mais um importante espaço para reafirmarmos os laços econômicos entre nossos países. A relação de 130 anos entre Brasil e Japão é celebrada neste ano, com mais investimentos de montadoras japonesas no Brasil, a compra de 20 aeronaves da Embraer… pic.twitter.com/sQQ83MFPOB
PILARES – No campo geopolítico, Lula destacou que o mundo necessita defender três pilares fundamentais para a estabilidade global: democracia, livre-comércio e multilateralismo. “É fundamental que parceiros históricos se unam para enfrentar as incertezas e instabilidades da economia global. Temos que primeiro brigar muito pela democracia. A democracia corre risco no planeta com eleição de extrema-direita negacionista, que não reconhece sequer vacina, sequer a instabilidade climática e sequer partidos políticos. A negação da política não trará nenhum benefício para a humanidade”, frisou o presidente do Brasil. “A segunda coisa que precisamos defender é o livre-comércio. Não podemos voltar a defender o protecionismo. Queremos comércio livre para que a gente possa fazer com que nossos países se estabeleçam no movimento da democracia, no crescimento econômico e na distribuição de riqueza”, ressaltou Lula. Por último, Lula defendeu o multilateralismo. “É muito importante a relação entre os países, a relação política, a relação entre universidades, a troca de experiências científicas1 e tecnológicas. Nós não queremos mais muros. Não queremos mais ser prisioneiros da ignorância. Nós queremos ser livres e prisioneiros da liberdade”, concluiu.
REPRESENTAÇÃO – Disposto a reverter a redução na balança comercial com o Japão registrada nos últimos anos, o Brasil se faz representar no país asiático com uma ampla comitiva de empresários dos mais diversos setores da indústria brasileira. À margem do Fórum, o Presidente se reuniu com grande número de representantes empresariais brasileiros, contando também com a presença do presidente do Congresso e do Senado, Davi Alcolumbre; o presidente da Câmara, Hugo Motta; o Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira; o embaixador do Brasil no Japão, Octávio Henrique Dias Garcia Côrtes; a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros; o presidente da Apex Brasil, Jorge Viana; e o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.
SINDICATOS - Mais cedo, Lula participou de um encontro com representantes sindicais brasileiros e japoneses. Na ocasião, reforçou medidas tomadas na atual gestão em torno do mundo do trabalho, como a medida que determina salários iguais para homens e mulheres que exercem a mesma função, a retomada da política de valorização do salário mínimo, com aumento acima de inflação, e exaltou os números expressivos de brasileiros inseridos no mercado de trabalho formal e a baixa histórica do desemprego ao longo da gestão. No lado brasileiro, participaram integrantes de Central Única dos Trabalhadores, da Força Sindical, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região. No lado japonês, a presidente e vários representantes da Confederação Sindical do Japão (Rengo).